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domingo, 20 de março de 2011

Chicago - Cell Block Tango

A Dona das Chaves - Livro de Julita Lemgruber

Neste livro Julita menciona uma de tres detentas que saiu na revista "Versus". Resumiram muito bem o que era a imagens que as presas tinham de si;

- " Não há mulher tão oprimida como a mulher marginal.  Não há ser humano tão ferido em sua dignidade,tão carente de amor-próprio quanto a mulher marginal...O malandro não se sente culpado, o malandro nunca está arrependido... O malandro se autolegitima, o malandro tem orgulho e     amor-próprio.
Mas a mulher do malandro, não.  A mulher do malandro quando diz " Eu não presto" , diz com   sinceridade.
Não que ela tenha uma visão diferente de seus companheiros....   Para ela também o mundo se divide em  otá rios e malandros.  Só que ela não é nem uma coisa nem outra.  Ela é alguém que se perdeu,portanto, uma mulher que não presta.  Para o homem, ser malandro pode ser uma arte.  Para a mulher, ser malandra    nun
ca será uma arte.  Será sempre uma desonra. O próprio malandro vai recrimina-la por estar presa, largando
os filhos à própria sorte, .."

Este depoimento nos retrata bem a dimensão outra do crime para a mulher.  Suas razões??  muitas respon
dem que é por amor ao seu homem.  Será?? Porque então tanta falta de amor-próprio??Porque conseguem
abrir mão da condição mais valorizadas por muitas mulheres: ser mãe e cuidar de seus filhos...amor incondicional aos filhos...amor que muitas vezes tambem levam ao crime... São muitas questões a pesquisar.
Julita, fez este trabalho em 1953, de lá para cá alguém se ocupou de humanizar essas cadeias?? Alguém escu
ta os " desvios que essas mulheres denunciam????